UM TEMPO PARA A REFLEXOM E PLANIFICAÇOM


Acabamos de terminar um período de intensas acçoms a escala nacional e mundial. O relevo mundial da Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade foi um éxito e permitiu a miles de grupos de mulheres do planeta enteiro falar de igualdade, liberdade, solidariedade, justiza e paz. Muitos grupos aproveitárom este impulso para ponher à orde do día as suas reivindicaçoms para cambiar a vida das mulheres e cambiar o mundo.

Puidémos ver, nestas páginas, como enfrontamos o desafio de aumentar a adesom à Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade e a criar consciência na opiniom pública sobre as problemáticas da mundializaçom neoliberal, a militarizaçom do nosso mundo, a exclusom e a intoleráncia. A nossa acçom atraeu novas mulheres das bases a somar-se ao movimento das mulheres, multiplicando assim o impacto das nossas acçoms. A Marcha Mundial das Mulheres contra a pobreza e a violência contra as mulheres, ao ponher a ênfase sobre este compromisso de base, e ao reafirmar que somos as mulheres, em movimento, as que cambiamos o mundo, marca o caminho dumha militáncia que se alimenta de análises locais e globais e actúa de jeito mundial. Queremos mais acçoms, mais cámbios concretos na vida das mulheres e menos discursos baleiros ou posmodernos, inclusive dentro das filas do feminismo.

Tendo em mente os logros das nossas acçoms de 2005, optamos agora por tomar um tempo de reflexom e ver quais serám as nossas próximas acçoms. decidiramos em Dezembro passado lançar unha campanha de planificaçom estratégica ao finalizar as nossas acçoms. Esta campanha está já posta em marcha e levara-nos a umha melhor avaliaçom do nosso impacto e a umha revisom da nossa estrutura, as nossas alianças, as nossas prioridades, as nossas estrategias e as nossas acçoms. Desexamos máis que nunca consolidar a nossa rede mundial de acçoms feministas contra a pobreza e a violência contra as mulheres.

Por qué umha campanha de planificaçom estratégica?
De onde partimos?

A Marcha Mundial das Mulheres conheceu um desenvolvemento fulgurante entre 1996 e 2000. A invitaçom a grupos de mulheres do mundo a actuar juntas em oposiçom àpobreza e a violencia contra as mulheres, suscitou um interesse inmediato e umha adesom imprevista. Num período quase record logramos agrupar mais de 5600 grupos distribuídos em 164 países ou territórios. A maioria destas organizaçons som organizaçons de base e provenientes de países do Sur ainda que certas regions estám subrepresentadas se se tem em conta a sua importáncia demográfica. Atribuímos este éxito à conclusom que fam vários grupos de mulheres: coa globalizaçom neoliberal, co crecente empobrecimento das mulheres e os ataques diversos contra os nossos direitos e a nossa dignidade, estamos obrigadas a pensar mais globalmente e unir nossos esforços.

Proponhiamos-lhe aos grupos de mulheres trabalhar com toda a diversidade e pluralidade do movimento de mulheres do seu país para lograr transformar o mundo transformando a vida das mulheres e viceversa.

Logo das nossas acçoms do ano 2000, fíxo-se evidente que nom poderiamos parar este arranque de solidariedade, estas novas alianças e este entusiasmo por um feminismo internacional em acçoms dotado dum discurso claro sobre as necessidades de luitar contra o patriarcado, o capitalismo e o racismo. Ademais, ante o auge do movimento antimundializaçom, no qual a Marcha participou e participa sempre activamente, parecia-nos necessário continuar o nosso próprio movimento de mulheres da Marcha Mundial das Mulheres. É assim que consolidamos a rede/movimento da Marcha a partir de 2001 ao adoptar os objectivos políticos, as estratégias de acçom, umha estrutura e um funcionamento que nos permitiria continuar co nosso trabalho.

Em 2003, aprovamos um plano de acçoms para 2005. Também adoptamos o princípio que queriamos realizar umha acçom mundial cada cinco anos permitindo às coordinaçoms nacionais e aos grupos participantes efectuar um trabalho mais de terreio, para a organizaçom de acçoms. Desejamos também ter a posibilidade de aprofundar as nossas alianças cos movimentos antimundializaçom, continuar as nossas reflexons e debates sobre diversos temas. É assim que criamos, em 2003, três grupos de trabalho tendo como tarefa a de alimentar a nossa reflexom e as nossas acçoms sobre os temas seguintes: os dereitos das lesbianas, as alternativas económicas feministas e a violência cara às mulheres e mais particularmente o tema do tráfico sexual. Ademais, crearon-se colectivos para permitirnos estar presentes em diversos lugares onde julgamos que o movimento de mulheres deve ser mais visível e asumir um certo liderado: colectivo paz e desmilitarizaçom, e um colectivo alianças/mundializaçom.

Em 2004, perante o nosso Quinto Encontro Internacional, tivemos que concluir que estes grupos de trabalho e colectivos nom produzírom o efeito aguardado e ainda que se levárom a cabo boas discusons e um encontro do nosso colectivo Paz e Desmilitarizaçom, nom se asegurou o seguimento. O mesmo sucedeu com os grupos de trabalho que produzírom documentos mas lhes foi moi difícil asegurar a continuaçom do trabalho.

O financiamento: um reto permanente

Desde o começo, a Marcha Mundial das Mulheres tivo que enfrontar um problema de financiamiento de várias índoles. As mulheres, no ámbito nacional, já tenhem de seu um desafiou para atopar fundos para as suas próprias acçoms. A realidade do financiamiento dos grupos presenta moitas diferenças no mundo, pero de forma geral, sempre foi e segue sendo difícil para os grupos de mulheres o atopar recursos para realizar acçoms como a da Marcha Mundial das Mulheres. Para a maioria isto significa botar mam de fontes de financiamento de seu limitadas, para presentar novos projectos. Foi possível para certas integrar as acçoms que desejam realizar no nacional, ou o trabalho que fam a escala internacional, nas suas solicitudes aos doantes cos cales já tenhem vínculos. Outras trabalhárom e seguem trabalhando de jeito nom remunerada. O impacto desta realidade na acçom internacional foi e continua sendo, a dificultade ou a impossilidade de pedir-lhe aos grupos participantes ou às Coordinaçoms Nacionais contribuir ao financiamiento do Secretariado Internacional. Ademais, para os grupos ou coordinaçons que se atopam nos países do Sur, nom é evidente a justificaçom do enviu de dinheiro a um país do Norte.

Até o ano 2000, o trabalho do Secretariado Internacional realizado pola equipa situado em Montreal, Québec, foi possével grazas às contribuçoms dos dous niveis de governo (provincial e federal), o compromisso de organizaçoms de cooperaçom internacional, dos sindicatos, das comunidades religiosas, de diversas fundaçoms e de particulares e grupos. Desde 2001, intentamos diversificar as nossas fontes de financiamiento e sobre todo presentar solicitudes a organismos internacionais posto que era difícil atopar fontes de financiamiento recorrentes cos doantes de Québec ou de Canadá. Logramos criar novas alianças com algumhas organizaçons ou fundaçons europeias, desenvolvemos também vínculos com doantes que apoiam a organizaçons internacionais como Montreal Internacional, mas ainda nom logramos desenvolver associaçoms de mais dum ano que permitam asegurar o funcionamento. Devemos polo tanto operar cum financiamiento por projecto o que representa
um derroche enorme de energia e de trabalho, e fai impossível a consolidaçom dumha equipa.

É assim como, no mês de Agosto de 2004, vimos-nos forçadas a reconhecer que nom podiamos continuar mantendo em vida o Secretariado Internacional deste jeito. Intentamos trámites de último recurso mas isto se cara a ao mesmo tempo que organizabamos um Encontro Internacional e nengum deles deu resultados. No mês de Outubro, tivemos que despedir a toda a equipa de trabalho. Queriamos deste jeito romper o ciclo de endebedamento e sinalar que o problema era mais profundo e que ainda que sempre lograramos atopar financiamiento de último momento desde 2001, nom podiamos seguir deste jeito.

Grazas ao compromisso das trabalhadoras do Secretariado, logramos levar a cabo a reuniom de Dezembro em Rwanda onde dezidimos emprender um processo de planificaçom estratégica e fazer um último intento co governo federal e provincial que deu resultados. Com todo tivemos que reduzir a equipa de trabalho. Desde Marzo 2005, volvemos a contratar a três das sete trabalhadoras do Secretariado para o período de transiçom.

Transiçom do Secretariado internacional e descentralizaçom

O ano 2005-2006 é um ano eigente para o Secretariado Internacional da Marcha Mundial das Mulheres. Decidimos, logo do nosso Quarto Encontro Internacional que se levou a cabo na India em Marzo de 2003, que logo das acçoms de 2005 desejavamos mudar o Secretariado Internacional a um país do Sur. Isto permitiria enfatizar a presença da Marcha no Sur e esperamos que facilita-se o financiamiento do Secretariado. Os problemas financeiros que conhecemos obrígan-nos a avaliar moi bem como podemos fazer a devandita transiçom. O processo de planificaçom estratégica deverá levar-nos a umha boa planificaçom do traslado do Secretariado Internacional. Devemos poder bem equilibrar as nossas orientaçoms e as nossas acçoms para os anos próximos, revisar a nossa estrutura (incluíndo a do Secretariado Internacional) e os nossos métodos de trabalho a escala internacional e construir alianças financeiras previas ao traslado.

Ademais, comezamos fai dous anos um trabalho internacional máis descentralizado, logrando que as coordinaçoms nacionais asumam mandatos de trabalho a escala de todas as coordinaçoms nacionais, que os colectivos tenham a responsabilidade de atopar financiamiento e asegurar o liderado desta parte do nosso plano de trabalho. Ao lado das acçoms de 2005, umhas coordinaçoms responsabilizárom-se do lançamento das nossas acçoms e a coordinaçom do Relevo. Queremos fazer a avaliaçom desta descentralizaçom e ver que leiçoms poden-se sacar. A descentralizaçom também deve ser vista como umha decisom política co fim de permitir a mulheres de diversas regions asumir o liderazgo da reflegiom e da acçom a escala mundial.

Os objetivos do processo de planificaçom estratégica

Como se mencionou anteriormente, a decisom de emprender um processo de planificaçom estratégica foi tomada no nosso encontro de Dezembro de 2004 em Rwanda, onde identificamos claramente as necessidades de dar-se perspectivas de acçoms comuns, mas também de examinar o nosso impacto sobre o movimento de mulheres a nivel nacional e internacional, assim como a nossa incidência sobre a transformaçom da vida das mulheres. O processo levara-nos entom a fazer umha análise das etapas realizadas desde 1997, medir o nosso impacto, revisar o nosso funcionamento e as nossas alianças, consolidar as nossas acçoms mundiais sem esquecer o tema do financiamiento.

Quem participará no processo?

A Marcha Mundial das Mulheres demostrou a importáncia das acçoms emprendidas e o seu impacto a diversos niveis. Segundo um balanço da situaçom em Novembro 2004, 71 coordinaçoms som activas mundialmente. Umha reactivaçom de grupos leva a adhesons continuas ao projecto. Os grupos que estavam activos em 2000 sentem-se involucrados e participárom nas acçoms de 2005. Contamos cumha rede importante para enriquecer este processo que se fará gradualmente sobre um ano.

O Comité Internacional é responsável deste importante processo e as coordinaçoms nacionais serám consultadas várias vezes de aquia Junho de 2006. Para soster este processo pugemos em pé um comité de apoio composto por umha representante da coordinaçom de Senegal (elas fòrom quem dérom orige a esta proposiçom de processo de planificaçom estratégica), duas representantes da coordinaçom de Québec, umha consultora e a coordinadora do Secretariado Internacional.

Duas etapas

Identificárom-se duas etapas para o Comité de Apoio e o Comité Internacional de aqui ao próximo encontro internacional em 2006. Umha primeira sessom de trabalho em Senegal inmediatamente logo da nossa acçom do 17 de Outubro, do 19 ao 22 de Outubro de 2005 e umha segunda sessom levara-se a cabo em Marzo de 2006.

A primeira sessom de trabalho de Outubro tinha como objectivo permitir identificar os logros, as necessidades, os desafios do nosso funcionamento internacional (grupos de trabalho, colectivos, descentralizaçom, secretariado internacional, alianças), a membresía e o financiamiento da Marcha a nível internacional. Saímos deste encontro cumha série de propostas concerniendo o nosso financiamiento para o trabalho internacional incluíndo propostas e critérios que nos permitam solicitar coordinaçoms nacionais para receber ao Secretariado Internacional. Discutimos da necessidade de precisar o tema da afiliaçom à Marcha Mundial das Mulheres e consolidar o trabalho por fazer nas diversas regións. Someteram-se propostas às coordinaçoms nacionais de aquí a mediados de Dezembro.

Para a segunda sessom, presentarémos-lhes preguntas no nosso envío de Dezembro sobre as problemáticas e as perspectivas de acçoms da Marcha Mundial das Mulheres para os próximos anos. Proponhera-se também umha reflexom para avaliar o impacto da Marcha. Contamos com vós para alimentar as nossas reflexons e orientar as nossas discusons que nos levarám ao Sexto Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres que se levará a cabo em Perú em Julho de 2006.

Diane Matte, Secretariado Internacional da Marcha Mundial das Mulheres

Coordenadora Nacional da Marcha Mundial das Mulheres na Galiza

Para contactar:
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