Por iniciativa da Federaçom de Mulheres do Quebeque, mais de 3.500 organizaçons em todo o mundo levamos, desde o ano 2000, desenvolvendo actividades ao redor duns objectivos comuns. Os objectivos da Marcha som luitar contra a pobreza e a violência de género.

Na actualidade 1.300 milhos de pessoas no mundo som pobres, destas, 7 de cada 10 som mulheres. Mais de 840 milhos de pessoas adultas som analfabetas, destas, as duas terças partes som mulheres. As mulheres e as nenas som vítimas de todo tipo de violência no mundo, nom só em tempos de guerra, senom a diário e em todos os continentes, vítimas de violaçons, amputaçons genitais, obrigadas a ocultar o seu corpo ou a espi-lo e vendê-lo, condenadas a morrer de fame ou enfermidades, elas e as suas crianças.

Pretendemos que a nossa voz, junto à de todas as mulheres, se escuite em toda parte com as reivindicaçons e projectos dum mundo mais justo e em igualdade.

Reconhecendo a variedade e pluralismo do movimento feminista mundial, as actividades da Marcha, tenhem em cada lugar do planeta as suas características específicas e de desenvolvimento.


Como se está a desenvolver a Marcha Mundial na Galiza?

Somos 36 organizaçons as que conformamos a Coordenadora Nacional da Marcha na Galiza.

Ainda tendo diferenças nos campos de actuaçom e sectores sociais e ideológicos aos que representamos, unem-nos os objectivos da Marcha: a luita contra da pobreza e contra da violência de género. Umha luita que na Galiza passa por medidas concretas e efectivas que nós sintetizamos numha TABELA REIVINDICATIVA que vai guiar todas as actuaçons da Coordenadora Galega e nos vai permitir negociar e exigir às distintas instituiçons, a sua concretizaçom real.

A tabela reivindicativa da Marcha Mundial das Mulheres na Galiza, surge dumha reflexom colectiva das 36 organizaçons que conformamos a Coordenadora Nacional que, analisando a situaçom das mulheres na sociedade galega, concluímos que:

Na Galiza a feminizaçom da pobreza, da marginaçom e da precariedade laboral, é um feito real. As mulheres somos maioria no paro, com case dez pontos de diferença a respeito dos homens. As mulheres somos a maioria das assinantes dos contratos em precário, na economia submergida, nos sectores laborais com menos salário, a maioria das pessoas que cobram a RISGA (Renda de Integraçom Social Galega), concretamente o 80%.

Muitos sectores industriais e laborais que empregam maioritariamente mulheres ( conserva, têxtil, alimentaçom, hotelaria, limpeza ), abusam dos contratos a tempo parcial e temporais. Especialmente a indústria têxtil consegue os seus benefícios amparando-se na economia submergida desenvolvida em pequenas cooperativas e obradoiros. A maiores, todas estas indústrias ameaçam constantemente às suas empregadas com o despido se intentam reivindicar os seus direitos. As mulheres empregadas no serviço doméstico tenhem pior situaçom : simplesmente nom tenhem direitos laborais.

As mulheres labregas nom som iguais ante a lei. Discrimina-se-lhes no acesso à titulariedade das exploraçons agrárias e sofrem em primeiro plano as políticas de limitaçom da produçom impostas pola Uniom Europeia. As mulheres mariscadoras, que representam o 87% deste sector, vem como a legislaçom do marisqueio as discrimina por nom ter em conta a realidade concreta dos distintos colectivos, por exemplo, à hora de marcar as cotizaçons que lhes permitam o acesso às prestaçons sociais que como trabalhadoras lhes pertencem.

Mentres o 22% da populaçom galega, maiormente mulheres, vive em situaçom de pobreza relativa, segundo o informe do Valedor do Povo, os Bancos e Caixas em Galiza, ganhárom umha média de 143 milhos ao dia, ao longo de 1999. Exactamente 52.480 milhos de pesetas de benefícios netos.

O trabalho doméstico segue a ser desenvolvido por nós quase exclusivamente. As cargas familiares aumentam a nossa jornada laboral e mentres as escolas infantis na Galiza só dam atendido ao 2% das crianças menores de 3 anos, contamos só com um terço das praças geriátricas recomendadas pola Organizaçom Mundial da Saúde e a ajuda a domicílio para a atençom de pessoas doentes ou com minusvalias é quase inexistente.

Nas mulheres moças, menores de 30 anos, os índices de paro elevam-se ao 25% do total do desemprego e nos meios urbanos aumenta consideravelmente o seu número nas bolsas de pobreza. Além disso sofrem nos centros de ensino umha educaçom sexista e discriminatória reflectida tanto nos livros de texto como na utilizaçom do tempo e dos espaços, ou na perpetuaçom de roles de género e atitudes machistas dentro do espaço escolar. Para a maioria das mulheres novas nom existe o direito à educaçom sexual. Os meios de comunicaçom pressionam as mulheres novas com os seus estereótipos de mulher à moda, que triunfa pola aceitaçom que dela fam os homens, ajustando-se a umha imagem que nada tem a ver com a pluralidade de imagens que representamos as mulheres.

A pobreza tem umha expressom muito mais aguçada nos colectivos das mulheres imigrantes, das mulheres em prisom, e nas mulheres ciganas. As redes de tráfico de imigrantes no nosso país, comerciam com mulheres para explorá-las como prostitutas, que em muitas ocasions som retidas contra da sua vontade aplicando-lhes a maiores todo tipo de vejaçons e maus tratos. Estas mulheres encontram-se com umha situaçom legal de total desamparo. As mulheres ciganas ademais de ver excluída a sua cultura da sociedade, sofrem racismo.

As mulheres presas pertencem às capas sociais mais desfavorecidas, o 60% som ciganas. Em prisom, muitos dos seus direitos fundamentais som violados, mesmo podem chegar a sofrer agressons físicas. Se som drogodependentes ou som VIH positivas, nom tenhem os cuidados que precisariam, nem seringas para evitar novas infecçons. As mulheres presas com crianças, vem como se aplica sobre elas o mesmo tipo de regime carcerário. Muitas vezes tenhem que cumprir condena longe das famílias e do seu lugar de origem porque a maioria dos cárceres carecem de instalaçons adequadas para atendê-las.

Das mulheres emigrantes que retornam à Galiza só um 25% encontra trabalho. Sofrem ademais dificuldades de integraçom derivadas de longos espaços de permanência noutros países, longe do meio familiar e social.

As mulheres com discapacidades seguem enfrentando-se a todo tipo de barreiras que lhes questionam a diário os seus direitos e integraçom social.

A rede sanitária pública nom está a garantir os nossos direitos sexuais e reprodutivos. A objecçom de consciência e a falta de meios materiais e humanos, repercutem seriamente na saúde das mulheres que nom tenhem possibilidades de botar mao da medicina privada.

A maternidade segue a ser condicionada para nós. Quando nom se trata de gravidezes nom desejadas numhas mulheres, sobre tudo em adolescentes, som a falta de meios económicos e apoio social o que decide a outras mulheres a fechar-se ao seu desejo de ser mais.

As casas de acolhida som hoje por hoje a saída única de muitas mulheres que, vítimas da violência de género, vem a sua vida e à das suas crianças ameaçada. As denúncias acrescentárom um 75%, mas as mulheres seguimos estando muito desprotegidas frente aos nossos agressores e os meios dos que se dispom nas casas de acolhida nom fam real a integraçom laboral e o apoio psicológico e social das usuárias.

Dum jeito especialmente duro discrimina e estigmatiza a nossa sociedade às lesbianas. Invisíveis, sem direitos fundamentais reconhecidos, sofrem discriminaçom na escola, na família, no mundo laboral e som ocultadas na história e na cultura.

Há muitas cousas que as mulheres que participamos na Marcha na Galiza, queremos mudar, na nossa saúde, na nossa vida familiar, afectiva e sexual, na nossa vida laboral, na sociedade em geral.

Queremos denunciar as políticas económicas e sociais que estám a provocar a actual situaçom das mulheres no mundo e na Galiza em particular. Estamos dispostas junto ao resto das mulheres do mundo a cambiar o rumo desta situaçom.


Organizaçons e Colectivos de Mulheres da Galiza
na Marcha Marcha Mundial das Mulheres