Boletim Informativo,
ano II, nº6, 2004 CONVOCADA MANIFESTAÇOM NACIONAL CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÉNERO Diante dos sucessivos casos de violência de género que se produzírom, ou se fixérom públicos, no nosso país nas últimas semanas e da cumplicidade que se desprende dalgunhas declaraçons políticas e religiosas com essa violência, como som: *As violacións de duas moças na província de Ourense. *A violaçom e posteriores ameaças dumha mulher na cidade de Ferrol. *Os três casos de violência de género no concelho de Oleiros. *O caso de abusos a umha menor por parte do alcalde de Toques. *O caso de acosso laboral e moral a umha trabalhadora no concelho de Begonte. *A morte a mans do seu filho dum vizinho de Ferrol acusado de agressons continuadas. *As declaraçons do presidente da Xunta de Galicia em relaçom ao caso de Toques. *O documento feito público pola Conferencia Episcopal. *A noticia feita pública estes dias de que mais de 200 mulheres fórom vítimas nos últimos anos das redes de traficantes na fronteira entre Galiza e Portugal. *Os contínuos assassinatos de mulheres e nenas que se levam produzindo desde que começou o ano no Estado Espanhol. A Coordenadora Galega da Marcha Mundial das Mulheres, na reuniom celebrada o passado sábado em Vigo, acordou convocar manifestaçom nacional para o próximo domingo, dia 15 às 12.30hs na Alameda, na cidade de Compostela, baixo o lema: A VIOLÊNCIA TEM GÉNERO, TAMBÉM TEM CÚMPLICES
Este 8 de Março, mobilizaremos-nos em toda Galiza, com a referência da Mobilizaçom Europeia de Maio. O que segue é o texto do chamado para esta jornada de denúncia e reivindicaçom; e a relaçom de actos de ámbito local que se vam realizar este dia na Galiza. DIFERENTES SIM, DESIGUAIS NOM MARCHA COM NÓS! 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres Mulheres de todo o planeta estamos marchando para conseguir a eliminaçom da pobreza e a violência de género. Marchamos exigindo umha sociedade em paz, desmilitarizada, que rejeite a guerra. Umha sociedade dos direitos humanos, económicos e sociais. Umha sociedade em igualdade, livre para a circulaçom das pessoas e onde podamos disponher livremente do nosso corpo. Temos moi claro quais som as desigualdades. Moitos discursos políticos e religiosos, justificam essas desigualdades dizendo que as mulheres somos diferentes. Efectivamente as mulheres somos diferentes, como o som todas as modalidades diferentes e igualmente valiosas do ser humano. É por isso que nom compartilhamos a globalizaçom uniformadora que elimina as diferencias e nom elimina as desigualdades. As diferencias enriquecem, as desigualdades empobrecem, nascem da infra-valoraçom da diferencia, da falha de respeito, da exclusom, da imposiçom de pensamentos e valores pola força. Formam umha espiral que nos envolve e que tem as suas manifestaçons mais graves nas agressons -maos tratos, assassinatos, violaçons, guerras- e outras mais subtis mas nom menos definitivas [a baixa representaçom na vida política, económica, social e cultural; a feminizaçom da pobreza, as diferencias salariais e nas pensions, a segregaçom laboral, a discriminaçom no aceso ao emprego, a discriminaçom pola opçom sexual, polas discapacidades, pola imigraçom, pola identidade cultural, lingüística ou étnica]. As desigualdades, e as violências e injustiças que produzem, se alimentam de estruturas sociais e modelos económicos que perpetuam a marginalizaçom das mulheres. É por isso que a violência contra as mulheres e nenas nom vai remitir mentres nom se acometam importantes transformaçons económicas e sociais. Só combatendo as desigualdades podemos eliminar a violência. No nosso país a pobreza e a violência de género estám presentes nas nossas vidas com maior ou menor intensidade. Os poderes políticos, económicos e religiosos, querem que participemos dos seus projectos por umha Europa da exclusom e da desigualdade. A nossa resposta é clara, diferentes sim, desiguais nom. Porque estamos por umha Europa de todas, nom dos poderosos; sem barreiras, aberta e solidária; pacífica, nom imperialista nem militarista; dos direitos, nom das escravitudes; umha Europa justa e democrática; estamos por a Europa respeituosa das diferencias, nom a Europa das desigualdades, e a grande mobilizaçom das mulheres que percorrerá as ruas de Vigo no dia 23 do próximo mês de Maio, será um espelho das nossas vontades, do nosso compromisso na construçom dum mundo diferente onde quedem desterradas a pobreza e a violência. Convocatórias de Actos de ámbito local para o 8 de Março Lugo: concentraçom, Praça Maior às 20:00 hs Ponte-Vedra: concentraçom, Praça 8 de Marzo às 20:30 hs Costa da morte: concentraçom na Alameda de Cee às 20:00 hs A Corunha: concentraçom no Obelisco às 20:30 hs Ourense: concentraçom Praça do Ferro às 20:30 hs Vigo: manifestaçom, saída Praza Portugal, às 20:00 hs Compostela: manifestaçom, saída Praça Toural às 20:00 hs Ferrol: manifestaçom, saída do Cantom às 19:30 hs
Declaraçom
sobre nossos valores O século XXI se iniciou com dous eventos importantes de caráter mundial: a Marcha Mundial das Mulheres e o Fórum Social Mundial. Ambos os se voltaram rapidamente processos, maiores que os eventos em si, que viram fortalecer e formar parte integrante da luita por umha profunda transformaçom de nossas sociedades. Esta luita surge como oposiçom a umha globalizaçom neoliberal [novo rosto do imperialismo], à guerra, ao racismo, à pobreza e a todos os tipos de discriminaçom, ocupaçom e militarizaçom. A globalizaçom patriarcal e neoliberal reproduz as desigualdades de género, amplia a brecha entre pobres e ricos, entre países, territórios e povos, e gera cada vez mais exclusom, ódio, racismo e intolerenacia. A Marcha Mundial das Mulheres, em sua luita contra
a pobreza e a violência para as mulheres, ilustra a determinaçom
das cidadáns do mundo a fazer mundial o pleno exercício
dos direitos humhanos, a construir um mundo de paz, de justiça
social e democracia, livre de toda exploraçom e opressom, onde
reinem a igualdade entre mulheres e homens, o auténtico reconhecimento
do trabalho das mulheres bem como do papel, tanto produtivo como reprodutivo,
que desempenhamos no seio de nossas sociedades, o respeito da diversidade
das culturas e a pluralidade, e a preservaçom do meio ambiente.
Consideramos apremiante afirmar e defender nossos direitos sexuais e
reprodutivos, inclusive o direito a umha decisom informada, garantindo
o acesso livre e gratuito tanto ao atendimento médico como a
métodos seguros de contracepçom e aborto. Aliás,
consideramos que juntas e juntos podemos e devemos construir outro mundo. 22 de Março de 2003.
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