BOLETIM INFORMATIVO
Coordenadora Nacional
da Marcha Mundial das Mulheres na Galiza
Fevereiro-2004
Ano II
nº 6


Boletim Informativo, ano II, nº6, 2004
. Convocada manifestaçom nacional contra a violência de Género
Domingo 15 de Fevereio em Compostela.
.8 de Março Dia Internacional das Mulheres
DIFERENTES SIM, DESIGUAIS NOM. MARCHA COM NÓS!
CONVOCATÓRIAS DA MARCHA NA GALIZA
. Declaraçom sobre nossos valores
Quarto Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, Nova Delhi, Índia
22 de Março de 2003


CONVOCADA MANIFESTAÇOM NACIONAL CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÉNERO
Diante dos sucessivos casos de violência de género que se produzírom, ou se fixérom públicos, no nosso país nas últimas semanas e da cumplicidade que se desprende dalgunhas declaraçons políticas e religiosas com essa violência, como som:

*As violacións de duas moças na província de Ourense.
*A violaçom e posteriores ameaças dumha mulher na cidade de Ferrol.
*Os três casos de violência de género no concelho de Oleiros.
*O caso de abusos a umha menor por parte do alcalde de Toques.
*O caso de acosso laboral e moral a umha trabalhadora no concelho de Begonte.
*A morte a mans do seu filho dum vizinho de Ferrol acusado de agressons continuadas.
*As declaraçons do presidente da Xunta de Galicia em relaçom ao caso de Toques.
*O documento feito público pola Conferencia Episcopal.
*A noticia feita pública estes dias de que mais de 200 mulheres fórom vítimas nos últimos anos das redes de traficantes na fronteira entre Galiza e Portugal.
*Os contínuos assassinatos de mulheres e nenas que se levam produzindo desde que começou o ano no Estado Espanhol.

A Coordenadora Galega da Marcha Mundial das Mulheres, na reuniom celebrada o passado sábado em Vigo, acordou convocar
manifestaçom nacional para o próximo domingo, dia 15 às 12.30hs na Alameda, na cidade de Compostela, baixo o lema:

A VIOLÊNCIA TEM GÉNERO, TAMBÉM TEM CÚMPLICES

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Este 8 de Março, mobilizaremos-nos em toda Galiza, com a referência da Mobilizaçom Europeia de Maio. O que segue é o texto do chamado para esta jornada de denúncia e reivindicaçom; e a relaçom de actos de ámbito local que se vam realizar este dia na Galiza.

DIFERENTES SIM, DESIGUAIS NOM
MARCHA COM NÓS!

8 de Março, Dia Internacional das Mulheres

Mulheres de todo o planeta estamos marchando para conseguir a eliminaçom da pobreza e a violência de género. Marchamos exigindo umha sociedade em paz, desmilitarizada, que rejeite a guerra. Umha sociedade dos direitos humanos, económicos e sociais. Umha sociedade em igualdade, livre para a circulaçom das pessoas e onde podamos disponher livremente do nosso corpo.

Temos moi claro quais som as desigualdades. Moitos discursos políticos e religiosos, justificam essas desigualdades dizendo que as mulheres somos diferentes. Efectivamente as mulheres somos diferentes, como o som todas as modalidades diferentes e igualmente valiosas do ser humano. É por isso que nom compartilhamos a globalizaçom uniformadora que elimina as diferencias e nom elimina as desigualdades.

As diferencias enriquecem, as desigualdades empobrecem, nascem da infra-valoraçom da diferencia, da falha de respeito, da exclusom, da imposiçom de pensamentos e valores pola força. Formam umha espiral que nos envolve e que tem as suas manifestaçons mais graves nas agressons -maos tratos, assassinatos, violaçons, guerras- e outras mais subtis mas nom menos definitivas [a baixa representaçom na vida política, económica, social e cultural; a feminizaçom da pobreza, as diferencias salariais e nas pensions, a segregaçom laboral, a discriminaçom no aceso ao emprego, a discriminaçom pola opçom sexual, polas discapacidades, pola imigraçom, pola identidade cultural, lingüística ou étnica].

As desigualdades, e as violências e injustiças que produzem, se alimentam de estruturas sociais e modelos económicos que perpetuam a marginalizaçom das mulheres. É por isso que a violência contra as mulheres e nenas nom vai remitir mentres nom se acometam importantes transformaçons económicas e sociais. Só combatendo as desigualdades podemos eliminar a violência.

No nosso país a pobreza e a violência de género estám presentes nas nossas vidas com maior ou menor intensidade. Os poderes políticos, económicos e religiosos, querem que participemos dos seus projectos por umha Europa da exclusom e da desigualdade. A nossa resposta é clara, diferentes sim, desiguais nom. Porque estamos por umha Europa de todas, nom dos poderosos; sem barreiras, aberta e solidária; pacífica, nom imperialista nem militarista; dos direitos, nom das escravitudes; umha Europa justa e democrática; estamos por a Europa respeituosa das diferencias, nom a Europa das desigualdades, e a grande mobilizaçom das mulheres que percorrerá as ruas de Vigo no dia 23 do próximo mês de Maio, será um espelho das nossas vontades, do nosso compromisso na construçom dum mundo diferente onde quedem desterradas a pobreza e a violência.


Convocatórias de Actos de ámbito local para o 8 de Março

Lugo: concentraçom, Praça Maior às 20:00 hs
Ponte-Vedra: concentraçom, Praça 8 de Marzo às 20:30 hs
Costa da morte: concentraçom na Alameda de Cee às 20:00 hs
A Corunha: concentraçom no Obelisco às 20:30 hs
Ourense: concentraçom Praça do Ferro às 20:30 hs
Vigo: manifestaçom, saída Praza Portugal, às 20:00 hs
Compostela: manifestaçom, saída Praça Toural às 20:00 hs
Ferrol: manifestaçom, saída do Cantom às 19:30 hs

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Declaraçom sobre nossos valores

Segundo conta no Diário de Notícias da web da MMM, Anja Sehic, representante de Sérvia e Montenegro, o dia 21 de Março de 2003, no seio do Quarto Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, celebrado em Nova Delhi, Índia; um dos temas previstos para este quarto dia de reuniom era debater as propostas de Declaraçom sobre nossos valores.
"Começamos o intercámbio de idéias sobre o conteúdo da Declaraçom de nossos valores e o contexto no que se localiza. Propuso-se um texto e as delegadas trabalhárom com muita concentraçom para que este respondesse às preocupaçons das regions. A discussom sobre as emendas à Declaraçom durou todo o dia.
Dada a diversidade intercultural e lingüística das participantes, provenientes de países e regions muito diferentes do mundo, o texto suscitou umha grande variedade de interpretaçons. Estes intercámbios foram, no entanto, muito importantes para dar clareza e atingir um entendimiento comum entre todas as delegadas, o que permitiu que finalmente se aprovará a Declaraçom sobre os valores da MMM" ...

MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES
DECLARAÇOM SOBRE NOSSOS VALORES

O século XXI se iniciou com dous eventos importantes de caráter mundial: a Marcha Mundial das Mulheres e o Fórum Social Mundial. Ambos os se voltaram rapidamente processos, maiores que os eventos em si, que viram fortalecer e formar parte integrante da luita por umha profunda transformaçom de nossas sociedades. Esta luita surge como oposiçom a umha globalizaçom neoliberal [novo rosto do imperialismo], à guerra, ao racismo, à pobreza e a todos os tipos de discriminaçom, ocupaçom e militarizaçom. A globalizaçom patriarcal e neoliberal reproduz as desigualdades de género, amplia a brecha entre pobres e ricos, entre países, territórios e povos, e gera cada vez mais exclusom, ódio, racismo e intolerenacia.

A Marcha Mundial das Mulheres, em sua luita contra a pobreza e a violência para as mulheres, ilustra a determinaçom das cidadáns do mundo a fazer mundial o pleno exercício dos direitos humhanos, a construir um mundo de paz, de justiça social e democracia, livre de toda exploraçom e opressom, onde reinem a igualdade entre mulheres e homens, o auténtico reconhecimento do trabalho das mulheres bem como do papel, tanto produtivo como reprodutivo, que desempenhamos no seio de nossas sociedades, o respeito da diversidade das culturas e a pluralidade, e a preservaçom do meio ambiente. Consideramos apremiante afirmar e defender nossos direitos sexuais e reprodutivos, inclusive o direito a umha decisom informada, garantindo o acesso livre e gratuito tanto ao atendimento médico como a métodos seguros de contracepçom e aborto. Aliás, consideramos que juntas e juntos podemos e devemos construir outro mundo.

Consideramos urgente propor, como feministas, alternativas económicas, políticas, sociais e culturais para fazer possível esse outro mundo. Consideramos necessário comparar nossas visons desse outro mundo entre nós as mulheres e com as organizacçons aliadas tanto a escala local como nacional, regional e internacional. Para fazer avançar a libertaçom da mulher, consideramos importante trabalhar conjuntamente, em alianças, com outros movimentos sociais e fortalecer nossa cooperaçom mediante acçons comuns. Reiteramos a importáncia de contar com um movimento internacional de mulheres autónomo, transparente, democrático e criativo. Reconhecemos e respeitamos a diversidade no seio de dito movimento. Valorizamos a liderança das mulheres, particularmente o daquelas entre nós que, por ser mulheres, sofrem dupla discriminaçom, como umha liderança estrategicamente necessária para conseguir umha verdadeira transformaçom social.

A Marcha Mundial das Mulheres crê na globalizaçom da solidariedade. Somos todas mulheres distintas que trabalhamos juntas para construir outro mundo. Entre nós há milhons de mulheres que a diário luitam por sua sobrevivência e a de sua comunidade rural ou urbana; mulheres victimas dos sistemas de casta e mulheres de comunidades minoritárias; mulheres indígenas submetidas a opressons seculares e a umha discriminaçom económica, política e social; sobreviventes de todas formas de violência como violaçons, incesto, exploraçom sexual, mutilaçons genitales femininas, violências justificadas pela cultura e as tradiçons, tráfico sexual, violência doméstica e ódio que luitam contra a impunidade dos agressores; lesbianas privadas de direitos humanos fundamentais que luitam contra a perseguiçom; mulheres que vivem em situacçons de conflito armado; sobreviventes de genocídios; mulheres que resistem ao racismo e ao integrismo; mulheres refugiadas arrojadas de seu país que procuram um lugar seguro; mulheres migrantes em busca de emprego e oportunidades; meninas, jovens e mulheres de idade que luitam para ser reconhecidas, respeitadas e viver com dignidade; mulheres discriminadas por suas capacidades diferentes; trabalhadoras e sindicalistas, do setor formal e informal, que luitam pela equidade salarial, um emprego adequadamente remunerado e contra a dupla jornada de trabalho; mulheres que vivem sob ocupaçom militar; mulheres vítimas de embargos; mulheres que luitam contra a asimilación cultural e lingüística; mulheres que trabalham à construçom da paz e a democracia na adversidade e que reclamam ser incluídas nos processos e diálogos de prevençom da guerra e de negociaçom da paz.

A Marcha Mundial das Mulheres convida às mulheres do mundo a comprometer-se a seguir luitando, em cada um de nossas comunidades, países e regions, conforme a suas realidades e prioridades, bem como no ámbito internacional, para romper o siléncio e assim acelerar a longa marcha para a autodeterminaçom, a paz, a justiça social e económica, a democracia e a igualdade.

22 de Março de 2003.
Quarto Encontro Internacional da Marcha Mundial das Mulheres, Nova Delhi, Índia

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